ESTORIA DO KARATE1 – História do Karate-Do:1
Em todos os países do mundo existe, em maior ou menor
grau, a arte marcial com a finalidade de preservar e
prosperar seu povo e seus descendentes e, em Okinawa
(Ryukyu) existia tradicionalmente o “te” como uma arte
de defesa pessoal.
Okinawa é a principal ilha do arquipélago RyuKyu,formado
aproximadamente por 70 ilhas, localizado entre a ilha de
Taiwan e o Japão. Okinawa pertence hoje ao Japão, mas
antigamente a ilha de Okinawa (Ryukyu) se subdividia em
três: “Hoku San”, “Chu San” e “Nan San” e cada uma
formava um governo autônomo, mas em 1429 foram
unificadas pelo Rei ShoShin de “Chu San” em um só Reino
de Ryukyu e, o governo com finalidade de preservar a
estabilidade do Reino por longo tempo, adotou a política
de proibição da posse de armas, na época do Rei ShoShin.
Esta proibição proporcionou um grande desenvolvimento
do “te” e também do kobudo (usando utensílios de pesca,
agricultura e da vida cotidiana para combate).
Entre os séculos 14 e 15, chamada “Era dourada do Comércio”, onde Okinawa se
transformou num grande centro de comércio entre a China e os países Sudeste Asiático. Em
conseqüência, as relações diplomáticas, culturais e comerciais se estreitaram entre Okinawa
e os países do Sudeste Asiático principalmente a China e graças ao fluxo de pessoas
(monges, soldados, comerciantes e imigrantes) e de cultura entre Okinawa e a China, o
Okinawa-te foi enriquecido pela da arte marcial chinesa (chugoku kenpo) e outras artes
marciais vindas do exterior, como a de Taiwan entre outras. Desta forma a arte de luta foi
transformada e começou a ser chamada de To-de ou To-te . A palavra “To” representava
primeiro a dinastia Tang, da China, e posteriormente passou a representar a própria China;
To-de significava, então, “mão chinesa” devido à grande influência do Kempo sobre esta arte
marcial okinawense (Okinawa-te).
Em 1609, na invasão de Okinawa pelo Japão (clã Satsuma) foram proibidos o uso e a posse
de armas e, isso causou um fator inevitável para o desenvolvimento de “te” (karate) como
arte de defesa pessoal. Pela Conversa dos anciões, os samurais de Okinawa (praticantes de
caratê) se escondiam dos olhares de outras pessoas durante o dia e, treinavam à noite
secretamente, longe de lugares habitados, dentro de matas de montanhas, para aumentar
seus golpes de punhos tendo como parceiro de treinamento a natureza tais como árvores e
rochas.
Com a tradição de várias épocas, os samurais de Okinawa acrescentaram à capacidade de
“te” os elementos espirituais como boas maneiras de conduta e educação, se esforçando
1 Fontes: Site CBK e outros mesclados da internet
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para o estabelecimento do caminho da arte marcial “Budo”, e o desenvolvimento para o
atual “Karate-do”.
Havia naquela época três cidades muito importantes em Okinawa: Shuri (a capital), Naha e
Tomari Gusuku (distrito de controle direto da dinastia), e devido ao desenvolvimento do Te
em cada uma delas ser um pouco diferente, cada “estilo” adotou o nome da cidade onde
estava sendo desenvolvido. Assim surgiram o Shuri-te , o Naha-te e o Tomari-te.
O Shuri-te era um estilo considerado como derivado do “Shaolin externo”, bastante
explosivo e rápido. Um dos grandes mestres deste estilo foi Sokon "Bushi " Matsumura
(1809-1901), aluno do mestre Sakugawa. Este mestre ensinou sua arte não só aos habitantes
de Shuri como a alguns praticantes das outras cidades. O Naha-te era um estilo forte e que
fazia ênfase na respiração e como tal, foi descrito como “Shaolin interno”.
O “Shuri-te” era chamado de escola Shorin e “Naha-te” de escola “Shorei”. Na época de seus
melhores discípulos, a escola “Shorin” (mata luminosa) foi denominada de escola “Shorin”
(mata pequena) pelo professor Choshin Chibana (falecido) e a escola “Shorei” denominada
“Goju” pelo professor Chojun Miyagui (falecido) e assim continua até hoje.
Quanto a “Tomari-te” é uma mistura de “Shuri-te” e “Naha-te” e quanto a sua sucessão
resta uma parte como a associação “Gohaku”.
Atualmente, associaram a estas 3 escolas mais duas: Uechi-ryu e Matsubayashi-ryu,
formando 5 principais estilos. Porém, estas 5 principais escolas se ramificaram em várias
outras escolas devido a diferença de pensamento de seus discípulos.
Modernamente, entende-se como Karate-Do a prática complementar de formação cultural e
desportiva baseada no desenvolvimento peculiar dos sistemas de defesa pessoal e evolução
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interior característicos de Okinawa em seus primórdios (século XVIII) e do Japão a partir do
início do século XX.
Além de ser um excelente meio de autodefesa, o karate também é um meio ideal de
exercício. Ele desenvolve a força, a velocidade, a coordenação motora, o condicionamento
físico e é reconhecido também por seus valores terapêuticos.
O karate moderno nasceu na época em que o finado Mestre Gichin Funakoshi (1868-1957),
então líder da Sociedade Okinawa de Artes Marciais, foi solicitado pelo Ministério da
Educação do Japão, em maio de 1922 a conduzir apresentações de karate em Tóquio. A nova
arte foi recebida entusiasticamente e foi introduzida em várias universidades, onde criou
raízes e começou a florescer.
Devido ao fato do karate ter sido praticado secretamente no passado, um grande número de
escolas e estilos (Ryus) foram desenvolvidos. Hoje existem inúmeras escolas no Japão, sendo
as mais destacadas: Shotokan, Goju-Ryu, Shito-Ryu e Wado-Ryu, todas com ramificações
pelo mundo afora.
1.1 - O karate esportivo:
Nos últimos anos, foram formuladas regras de combate simulado para se evitar ferimentos
graves, com o propósito de introduzir o karate como um esporte competitivo. O karate de
torneio é um jogo de reflexos que exige "timing", velocidade, técnica, estratégia,
camaradagem e controle, onde prevalecem HONRA, LEALDADE e SENSO DE COMPROMISSO.
Durante os torneios, todos os golpes, embora fortemente focalizados, devem ser
controlados precisamente antes do contato. Embora seja muito excitante de assistir, o
torneio de karate é considerado, pela maioria dos mestres, como um degrau e não como o
objetivo principal no desenvolvimento do karate-ka.
Nos anos 50, as universidades no Japão começaram a promover competições de karate. O 1º
Campeonato Mundial de Karate foi realizado em 1970 em Tóquio,Japão, com a participação
de 33 países e, desde então, cada campeonato mundial tem sido promovido de dois em dois
anos. Em 2002, o 16º Campeonato Mundial realizado em Madri/Espanha teve a participação
de 84 paises.
O karate tem se espalhado rapidamente, não apenas entre as gerações mais novas como um
esporte para melhorar a força, mas tem se tornado um meio popular de exercício para
homens e mulheres de meia-idade para manter a forma. Um número crescente de
academias de karate tem aberto e mantido turmas para crianças.
1.2 - Organização do Karate mundial:
Devido a popularidade global do karate como esporte, a formação de uma federação
internacional de karate tornou-se necessária. Em 1970, a União Mundial das Organizações
de Karate (WUKO) foi criada. Desde então, todos os esforços têm sido feitos para incluir o
karate nos Jogos Olímpicos – o maior símbolo das realizações do homem no campo
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desportivo. No dia 06 de junho de 1985, a WUKO foi oficialmente reconhecida pelo Comitê
Olímpico Internacional (COI). Em 1993, na Argélia, para adaptar-se às regras do Comitê
Olímpico Internacional, a Federation Mondiale de Karate (FMK), também conhecida como
World Karate Federation (WKF), absorveu a antiga WUKO, fato este que trouxe um
desenvolvimento direcionado à promoção do karate mundial. No dia 18 de Março de 1999 o
COI em sua 109º sessão (Seul) confirmou o reconhecimento em caráter definitivo da
FMK/WKF, de acordo com o artigo 29 da carta Olímpica, como a federação mundial dirigente
da modalidade karate.
Além da intenção de incluir o karate nos Jogos Olímpicos, o objetivo da WKF é de unificar
todas as organizações que pratiquem karate, como esporte ou como uma arte tradicional,
além de lutar também para promover ligações dentro de um espírito de amizade entre os
karatecas do mundo. A WKF representa o karate mundial e coordena todas as atividades de
karate ao redor do mundo, estabelece regras técnicas e operacionais, organiza e controla
reuniões internacionais e toma as decisões sobre vários assuntos que possam surgir entre os
membros.
1.3 - Organização do Karate no Brasil:
No Brasil a Entidade Nacional de Administração da modalidade karate é a Confederação
Brasileira de Karate-CBK (representante de 26 Federações estaduais), que está filiada a WKF
e vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro-COB, além de reconhecida através da Portaria nº
551 do Ministério da Educação (10/11/1987), como entidade de direção nacional da
modalidade, com competência na área do desporto de sua própria denominação.
Graças às fragmentadoras Leis Zico e Pelé, atualmente o Ministério dos Esportes do Brasil
reconhece não menos que 9 confederações só de Karate, sendo que a única autorizada a
representar o país oficialmente é a CBK, a mais antiga e representativa, pois detém o maior
n° de filiados.
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2. - Ginchin Funakoshi:2
Gichin Funakoshi
(1868-1957)
A história do mestre Gichin Funakoshi se confunde com a própria história do Karate, por isso
a ele é creditado o título de "Pai do Karate Moderno", devido aos seus esforços em divulgar
essa arte para o mundo.
2.1 - Os primeiros contatos com o Karate
Gichin Funakoshi nasceu em Shuri, Okinawa, em 1868, o mesmo ano da Restauração Meiji.
Funakoshi era filho único e logo após seu nascimento foi levado para a casa dos avós
maternos, onde foi educado e aprendeu poesia clássica chinesa. Algum tempo depois ele
começou a freqüentar a escola primária, onde conheceu outro garoto de quem ficou muito
amigo. Esse garoto era filho de Yasutsune Azato, um dois maiores especialistas de Okinawa
na arte do Karate, e membro de uma família das mais respeitadas. Logo Funakoshi começou
a tomar suas primeiras lições de Karate.
Como na época a prática de artes marciais era proibida em Okinawa, os treinos eram
realizados à noite, no quintal da casa de mestre Azato. Lá ele aprendia a socar, chutar e
mover-se conforme os métodos praticados naqueles dias. O treinamento era muito rigoroso.
Mestre Azato tinha uma filosofia de treinamento que se chamava "Hito Kata San Nen", ou
seja, "um kata em três anos". Funakoshi estudava cada kata a fundo e, só então quando
autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo.
Enquanto praticava no quintal de Azato com outros jovens, outro gigante do Karate, mestre
Itosu, amigo de Azato, aparecia e observava-os treinando kata, fazendo comentários sobre
suas técnicas. Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina
rígida de mestre Azato, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: "Bom!".
Após os treinos, já quase ao amanhecer, Azato falava sobre a essência do Karate.
22 Por Carlos Camacho
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Após vários anos, a prática do Karate deu grande contribuição para a saúde de Funakoshi,
que fora uma criança muito frágil. Ele gostava muito do Karate, mas como não pensava que
pudesse fazer dele uma profissão, inscreveu-se e foi aceito como professor de uma escola
primária em 1888, aos 21 anos, aproveitando toda a cultura adquirida desde a infância
quando seus avós lhe ensinavam os Clássicos Chineses. Esta deveria ser sua carreira a partir
de então.
2.2 - O Karate começa a ser ensinado nas escolas de Okinawa
Em 1902, durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura
de Kagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feita uma demonstração de Karate.
Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador. Ogawa ficou tão
entusiasmado que escreveu um relatório ao Ministério da Educação elogiando as virtudes da
arte. Foi então que o treinamento de Karate passou a ser oficialmente autorizado nas
escolas. Até então o Karate só era praticado atrás de portas fechadas, o que no entanto não
significava que fosse um "segredo".
As casas em Okinawa eram muito próximas umas das outras, e tudo que era feito numa casa
era conhecido pelas casas adjacentes. Enquanto muitos autores pregam o Karate como
sendo um segredo àquela época, não era exatamente isso o que se encontrava na prática. O
Karate era "oficialmente" secreto.
Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karate que não eram a favor da
divulgação da arte, Funakoshi trouxe o Karate até o sistema público de ensino, com a ajuda
de Itosu. Logo as crianças de Okinawa estavam aprendendo kata como parte das aulas de
Educação Física. A redescoberta da herança étnica em Okinawa virou moda, e as aulas de
Karate em Okinawa eram vistas como uma coisa legal.
Alguns anos depois, o Almirante Rokuro Yashiro assistiu a uma demonstração de kata. Essa
demonstração foi feita por Funakoshi junto com uma equipe composta por seus melhores
alunos. Enquanto ele narrava, os outros executavam kata, quebravam telhas, e geralmente
chegavam ao limite de seus pequenos corpos. Funakoshi sempre enfatizava o
desenvolvimento do caráter e a disciplina nas suas narrações durante essas demonstrações.
Quando ele participava, gostava de executar o kata Kanku Dai, o maior do Karate, e talvez o
mais representativo. Yashiro ficou tão impressionado que ordenou a seus homens que
iniciassem o aprendizado na arte.
Em 1912, a Primeira Esquadra Imperial da Marinha ancorou na Baía de Chujo, sob o
comando do Almirante Dewa, que selecionou doze homens da sua tripulação para
estudarem Karate durante uma semana. Foi graças a esses dois oficiais da Marinha que o
Karate começou a ser comentado em Tokyo. Os japoneses que viam essas demonstrações
levavam as histórias sobre o Karate consigo quando voltavam ao Japão. Pela primeira vez na
sua história, o Japão acharia algo na sua pequena possessão de Okinawa além de praias
bonitas e o ar puro.
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2.3 – O Karate chega ao Japão
Em 1921, o então Príncipe Herdeiro Hirohito, em viagem para Europa, fez escala em
Okinawa e assistiu uma demonstração de Karate, liderada por Funakoshi, e ficou muito
impressionado. Por causa disso, no final desse mesmo ano, Funakoshi foi convidado para
fazer uma demonstração de Karate em Tokyo, numa Exibição Atlética Nacional. Ele aceitou
imediatamente, acreditando ser esta uma ótima oportunidade para divulgar sua arte. Sua
demonstração de kata foi um sucesso.
Funakoshi pretendia retornar logo para Okinawa mas, depois da exibição, ele
foi cercado de pedidos para ficar no Japão ensinando Karate. Uma das
pessoas que pediu para que ele ficasse foi Jigoro Kano (foto ao lado), o
fundador do Judo e presidente do Instituto Kodokan. Funakoshi resolveu ficar
mais alguns dias para fazer demonstrações de suas técnicas no próprio
Kodokan
Algum tempo depois, quando se preparava novamente para retornar à Okinawa, foi visitado
pelo pintor Hoan Kosugi, que já tinha assistido a uma demonstração de Karate em Okinawa e
pediu que ele lhe ensinasse a arte. Mais uma vez sua volta foi adiada.
Funakoshi percebeu então que se ele quisesse ver o Karate propagado por todo o Japão ele
mesmo teria que fazê-lo. Por isso resolveu ficar em Tokyo até que sua missão fosse
cumprida.
No Japão, Funakoshi foi ajudado por Jigoro Kano, o homem que reuniu vários estilos
diferentes de Jujutsu para fundar o Judo. Kano tornou-se amigo íntimo de Funakoshi, e sem
sua ajuda nunca teria havido Karate no Japão. Kano o introduziu às pessoas certas, levou-o
às festas certas, caminhou com ele através dos círculos sociais da elite japonesa. Mais tarde
naquele ano, as classes mais altas dos japoneses se convenceram do valor do treinamento
do Karate.
Funakoshi fundou um dojo de Karate num dormitório para estudantes de Okinawa, em
Meisei Juku. Ele trabalhou como jardineiro, zelador e faxineiro para poder se alimentar
enquanto ensinava Karate à noite.
2.4 - O primeiro livro
Em 1922, a pedido do pintor Hoan Kosugi, Funakoshi publicou seu primeiro livro: "Ryukyu
Kenpo Karate", um tratado nos propósitos e prática do Karate. Na introdução daquele livro
ele já dizia que "...a pena e a espada são inseparáveis como duas rodas de uma carroça". O
grande terremoto de Kanto em 1º de setembro de 1923 destruiu as placas de seu livro, e
levou alguns de seus alunos com ele. Ninguém morreu com o tremor, os incêndios que
provocaram as mortes. O terremoto ocorreu durante a hora do almoço, no momento em
que cada fogão a gás no Japão estava ligado. Os incêndios que ocorreram a seguir eram
monstruosos, e maioria das vidas perdidas se deveu ao fogo.
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Este livro teve grande popularidade e foi revisado e reeditado quatro anos após o seu
lançamento, com o título alterado para: "Rentan Goshin Karate Jutsu".Em 1925, Funakoshi
começou a pegar alunos dos vários colégios e universidades na área Metropolitana de Tokyo
e nos anos seguintes esses alunos começaram a fundar seus próprios clubes e a ensinar
Karate a estudantes destas escolas. Como resultado, o Karate começou a se espalhar por
Tokyo. No início da década de 30 haviam clubes de Karate em cada universidade de prestígio
de Tokyo. Mas por que estava Funakoshi conseguindo tantos jovens interessados em Karate
desta vez?
O Japão estava fazendo uma Guerra de Colonização na Bacia do Pacífico. Eles invadiram e
conquistaram a Coréia, Manchúria, China, Vietnã, Polinésia, e outras áreas. Jovens a ponto
de irem para a guerra vinham a Funakoshi para aprender a lutar, assim eles poderiam
sobreviver ao recrutamento nas Forças Armadas Japonesas. O seu número de alunos
aumentou bastante.
Por volta de 1933, Funakoshi desenvolveu exercícios básicos para prática das técnicas em
duplas. Tanto o ataque de cinco passos (Gohon Kumite) como o de um (Ippon Kumite) foram
usados. Em 1934, um método de praticar esses ataques e defesas com colegas de um modo
levemente mais irrestrito, semi-livre (Ju Ippon Kumite), foi adicionado ao treinamento.
Finalmente, em 1935, um estudo de métodos de luta livre (Ju Kumite) com oponentes
finalmente tinha começado. Até então, todo Karate treinado em Okinawa era composto
basicamente de kata. Isso era tudo. Agora, os alunos poderiam experimentar as técnicas dos
kata uns com os outros sem causar danos sérios. Neste mesmo ano de 1935, foi publicado
seu próximo livro: "Karate-Do Kyohan". Este livro trata basicamente dos kata.
2.5 - Uma reforma no Karate
Funakoshi era Taoísta, e ele ensinava Clássicos Chineses, como o Tao Te Ching de Lao Tzu,
enquanto ele estava vivendo em Okinawa. Funakoshi era profundamente religioso. Ele tinha
muito medo de que o Karate se tornasse um instrumento de destruição, e provavelmente
queria eliminar do treinamento algumas aplicações mortais
dos kata. Então, ele parou de fazer essas aplicações. Ele
também começou a desenvolver estilos de luta que fossem
menos perigosos. Funakoshi teve sucesso ao remover do
Karate técnicas de quebras de juntas, de ossos, dedos nos
olhos, chaves de cotovelo, esmagamento de testículos,
criando um novo mundo de desafios e luta em equipe onde
somente umas poucas técnicas seriam legais.
Ele fez isso baseado nos seus propósitos e com total
conhecimento dos resultados. Em 1936, Funakoshi mudou os
caracteres Kanji utilizados para escrever a palavra Karate. O
caracter "Kara" significava "China", e o caracter "Te"
significava "Mão". Para popularizar mais a arte no Japão, ele
mudou o caracter "Kara" por outro, que significa "Vazio". De
"Mãos Chinesas" o Karate passou a significar "Mãos Vazias",
e como os dois caracteres são lidos exatamente do mesmo
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jeito, então a pronúncia da palavra continuou a mesma. Além disso, Funakoshi defendia que
o termo "Mãos Vazias" seria o mais apropriado, pois representa não só o fato de o Karate
ser um método de defesa sem armas, mas também representa o espírito do Karate, que é
esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos.
Com essa mudança, Funakoshi iniciou um trabalho de revisão e simplificação, que também
passou pelos nomes dos kata, pois ele também acreditava que os japoneses não dariam
muita atenção por qualquer coisa que tivesse a ver com o dialeto caipira (interiorano) de
Okinawa. Por isso ele resolveu mudar não só nome da arte, mas também os nomes dos
katas. Ele estava certo, e seus números cresceram mais ainda.
Funakoshi tinha 71 anos em 1939, e foi quando ele deu o primeiro passo dentro de um Dojo
de Karate em 29 de Janeiro. O prédio foi feito de doações particulares, e uma placa foi
pendurada sobre a entrada e dizia: "Shotokan". "Sho" significa pinheiro. "To" significa ondas
ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas. "Kan" significa edificação ou
salão. "Shoto" era o pseudônimo que Funakoshi usava para assinar suas caligrafias quando
jovem, pois quando ele ia escrevê-las se recolhia em um lugar mais afastado, onde pudesse
buscar inspiração, ouvindo apenas o barulho dos pinheiros ondulando ao vento. Esse nome
dado ao Shotokan Karate Dojo foi uma homenagem de seus alunos.
2.6 - A Segunda Guerra Mundial
Com a eminência de uma guerra pairando no ar, a necessidade de treinamento nas artes
militares estava em crescimento. Jovens estavam se amontoando nos dojos, vindos de todas
as partes do Japão. O Karate foi de carona nessa onda de militarismo e estava desfrutando
de uma aceitação acelerada como resultado.
Finalmente, no dia 7 de dezembro de 1941, o Japão comete seu grande erro. O bombardeio
das forças navais americanas em Pearl Harbor fora a gota d'água. Numa tentativa de
prevenir que as embarcações americanas bloqueassem a importação japonesa de matériaprima,
os japoneses tentaram remover a frota americana e varrer a influência ocidental do
próprio Oceano Pacífico. O plano era bombardear os navios de guerra e os porta-aviões que
estavam no território do Hawaii. Isto deixaria a força da América no Pacífico tão fraca que a
nação iria pedir a paz para prevenir a invasão do Hawaii e do Alasca.
Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recursos, força humana, ou a capacidade
industrial dos Estados Unidos. Com uma mão nas costas, os americanos destruíram
completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico. Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o
Shotokan Karate Dojo que havia sido construído em 1939. Com a América exercendo pressão
em Okinawa, a esposa de Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar-se a ele em Kyushu
no Sul do Japão. Eles ficaram lá até 1947.
Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho. As ilhas foram bombardeadas
do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinas crivadas de balas pelos cruzadores de
guerra de longe da costa, e então as tropas varreram através da ilha, cercando todo mundo
que estivesse vivo. A era dourada do Karate em Okinawa tinha acabado. Todas as artes
militares haviam sido banidas rapidamente pelas forças americanas. Primeiro uma, depois
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outra bomba atômica explodiram sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Três dias
depois, bombardeiros americanos sobrevoaram Tokyo em tal quantidade que chegaram a
cobrir o Sol. Tokyo foi bombardeada com dispositivos incendiários. Descobrindo que o
governo do Japão estava a ponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem do
Imperador, cartas secretas foram passadas para os japoneses garantindo sua segurança se
eles assinassem sua "rendição incondicional". O Japão estava acabado, a Guerra do Pacífico
também, mas o pesadelo de Funakoshi ainda havia de acabar.
2.7 - A morte de Yoshitaka
Foi então que Gigo (foto ao lado), também conhecido como Yoshitaka,
dependendo como se pronuncia os caracteres de seu nome, filho de
Funakoshi, um jovem e promissor mestre de Karate no seu próprio
direito, aquele que Funakoshi estava contando para substituí-lo como
instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em 1945 e veio a falecer
enquanto teimosamente recusa-se a comer a ração americana dada ao
povo faminto
Funakoshi e sua esposa tentaram viver em Kyushu, uma área predominantemente rural, sob
a ocupação americana no Japão, mas em 1947, ela morre, deixando Funakoshi retornar a
Tokyo para reencontrar seus alunos de Karate que ainda viviam. Depois que a guerra havia
acabado, as artes militares haviam sido completamente banidas. Entretanto, alguns dos
alunos de Funakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karate era um
esporte inofensivo.
As autoridades americanas concederam, mais visto que naquela época eles não tinham idéia
do que Karate fosse. Além disso, alguns homens estavam interessados em aprender as artes
militares secretas do Japão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948.
Em maio de 1949, os alunos de Funakoshi movem-se para organizar todos os clubes de
Karate universitários e privados numa simples organização, e eles a chamaram de Nihon
Karate Kyokai (Associação Japonesa de Karate). Eles nomearam Funakoshi seu instrutor
chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar um dojo para a NKK.
2.8 - Uma lição para o mundo
Em 1957, Funakoshi tinha 89 anos de idade. Ele foi um
professor de escola primária e um professor de Karate. Ele se
mudou para o Japão em 1922 (o que não é um pequeno ato
de coragem) e trouxe consigo o Karate, dando ao Japão algo
de Okinawa com seu próprio jeito pacifista. No processo, ele
perdeu um filho, sua esposa, o prédio que seus alunos fizeram
para ele, seu lar, e qualquer esperança de uma vida pacífica.
Ele suportou uma Guerra Mundial que resultou em
calamidade nacional, e ele treinou seus jovens amigos e
conheceu suas famílias apenas para vê-los irem lutar e serem
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mortos pelas forças invencíveis dos Estados Unidos. Ele viu o Japão queimar, ele viu os
antigos templos e santuários serem totalmente aniquilados, ele viu bombardeiros
enegrecerem o Sol, e ele viu como um pilar de fumaça negra subia de cada cidade no Japão
e envenenava o ar que ele respirava. Ele viu o Japão cair da glória para uma nação miserável,
dependendo de suprimentos de comida e roupas dos seus conquistadores. O cheiro da
fumaça e o cheiro dos mortos, os berros daqueles que foram deixados para morrer
lentamente, o choro das mães que perderam seus filhos e esposas que nunca mais iriam ver
seus maridos, o medo, o ruído ensurdecedor dos B-29's voando sobre sua cabeça aos
milhares, os clarões como os de trovões por todo o país quando as bombas explodiam em
áreas residenciais, os flashes de luz na escuridão, a espera no rádio para poder ouvir a voz do
Imperador pela primeira vez, somente para anunciar a rendição, a humilhação de implorar
comida aos soldados. Intermináveis funerais, famílias arruinadas e lares destruídos.
A lição mais importante que ele nos ensinou está expressa na história do modo que ele
passou pelo dojo principal de Jigoro Kano, o fundador do Judo. Caminhando pela rua, ele
parou e fez uma pequena prece quando passou pelo Kodokan. E, se estivesse dirigindo um
carro, ele tiraria seu chapéu quando passasse pelo Kodokan. Seus alunos não entenderam
porque ele estaria rezando pelo sucesso do Judo. Ele explicou: "Eu não estou rezando pelo
Judo. Eu estou oferecendo uma prece em respeito ao espírito de Jigoro Kano. Sem ele, eu
não estaria aqui hoje".
Gichin Funakoshi, o "Pai do Karate Moderno",
faleceu no dia 26 de abril de 1957. No seu túmulo
está gravada sua célebre frase: "Karate Ni Sente
Nashi". O monumento (foto ao lado) está
localizado no Templo Engakuji na cidade de
Kamakura, Japão.
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3 – Significado da palavra Karate
Os Kanji's (ideogramas) podem ser lidos de duas maneiras: “kun” (pronuncia chinesa) e “un”
(pronuncia japonesa). No inicio o karate era chamado de karate-jutsu (pronuncia japonesa)
ou tode-jutsu (pronuncia chinesa) com o significado de técnica (jutsu) da Mão (te) Chinesa
(Kara ou to).
Quando Karate foi introduzido no Japão na década de 1920 sofreu algumas modificações
devido a rivalidade histórica entre Japão e a China.
Existe outro ideograma com a mesma pronuncia “Kara” do Karate, mas com outro
significado que não “chinesa”. Este outro ideograma tem origem no termo Sunya ou Sunyata
do sânscrito que significa “zero”, “vazio”, e é muito usado na tradição Zen-Budista com esse
significado.
Funakoshi e outros mestres, querendo introduzir o Karate-do no Japão, decidiram adotar
este outro símbolo e também trocar a expressão “jutsu” (técnica ou arte) por “do” que
deriva da palavra chinesa “tao” (via, caminho). Este nome pareceu, então, apropriado já que
descreve uma arte de luta sem armas e também duas características importantes do Zen-
Budismo: a “mente vazia” (sem preocupações, ódio, inveja ou desejo) e o “caminho”, a “via”
que devemos transitar para chegar à iluminação
(Tode-Jutsu ou Karate Jutsu)
Técnica da Mão Chinesa
------>
(Karate-do)
Caminho das Mãos Vazias
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4 – Mandamentos do Karate
Dojo Kun
HITOTSU - JINKAKU KANSEI NI TSUTOMURU KOTO
Primeiro. Esforçar-se para formação do caráter.
HITOTSU - MAKOTO NO MICHI WO MAMORU KOTO
Primeiro. Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
HITOTSU - DORYOKU NO SEISHIN O YASHINAU KOTO
Primeiro. Criar o intuito de esforço.
HITOTSU - REIGI O OMONZURU KOTO
Primeiro. Respeito acima de tudo.
HITOTSU - KEKKI NO YU O IMASHIMURU KOTO
Primeiro. Conter o espírito de agressão.
Quando você lê o Kun (mandamentos) provavelmente notará algo. Cada linha começa com
primeiro, porque? Por que não segundo, terceiro, quarto e quinto? O mestre Funakoshi
entendia que nenhum item do Kun fosse mais importante que o outro. Por isso, cada item
foi numerado como sendo o primeiro.
4.1 - Reishiki / Etiqueta
Por que, exatamente, fazemos reverência para o instrutor e para nossos colegas de aula
quando praticamos as artes marciais japonesas? De onde veio isso?
Antes de tudo, vamos esclarecer que a reverência e outras formas de etiqueta nas artes
marciais não indicam subserviência. Elas indicam respeito, o que é completamente
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diferente. As formas de atitude educada no dojo têm um significado que vai além do
conhecimento da raiz Japonesa destas artes.
Naturalmente, é das raízes Japonesas que deriva a etiqueta das artes marciais. Os homens e
mulheres que apresentaram o Budo ao ocidente também trouxeram os métodos de ensino
que receberam de seus instrutores. Estes métodos incluíam reishiki.
No Japão, reishiki se desenvolveu até um alto grau no período Tokugawa (1603-1868), com o
surgimento de diversas escolas da arte. O grande movimento de neo-confucionismo da
época estava crescendo, dando ao ato o significado hierárquico que ele carrega atualmente.
A idéia de que toda a autoridade vem de cima e que todas as pessoas têm seu lugar na
ordem das coisas era reafirmada pelo grau da reverência entre as pessoas.
As reverências não são uma forma de submissão, são uma forma de se praticar de maneira
segura e com atenção. "O Budo começa e termina com Reishiki". Isso não quer dizer que
balançamos a cabeça no início e no fim da aula, isso significa que o Budo é Reishiki. As boas
maneiras não são "adicionadas”, elas são parte da arte.
Cada arte e cada instrutor da arte estabelecerão um código específico de conduta para seus
alunos. O que é principal a ser lembrado é que você deve agir o tempo todo com atenção
absoluta no que está fazendo e no por que. A seguir, apresentamos uma discussão sobre as
diversas formas de reishiki que são comuns na maioria dos dojo Japoneses.
Ao entrar ou sair de uma sala ou da área de prática, você pára, junta os pés e faz uma
reverência em direção ao local da prática. Isso é freqüentemente descrito como uma prece
ao dojo aonde você vai praticar bem e com energia. Se você não deseja fazer uma prece a
uma estrutura de madeira ou cimento, faça uma pequena meditação para si mesmo. Você
deixa o mundo exterior agitado e confuso e entra no mundo profundamente concentrado do
dojo. Este é o primeiro passo, e é seguido por uma série de ações que lembram a você, em
um nível subconsciente, que o que está fora deve ser deixado do lado de fora.
4.1.1 - Reverência ao Shomen (Shomen-Ni)
Esta é uma reverência feita no início e no final de cada aula, dirigida ao ponto mais alto da
sala, ou talvez em direção a uma fotografia, um texto, ou em direção a um santuário
Xintoísta. A reverência é outro passo de transição do mundo exterior para o dojo. Também é
um momento em que o aluno pode refletir sobre a história de sua arte, pois é aí que se
expressa a gratidão ao fundador e aos mestres anteriores da arte. A reverência ao Shomen
também serve para lembrar onde ele fica, e isso é importante para a forma como você vai se
movimentar no dojo.
4.1.2 - Reverência ao Sensei (Sensei-Ni)
No início e no fim da aula, os alunos têm a chance de fazer uma reverência formal ao
instrutor. Isso deve ser feito cuidadosamente e com completa atenção, pois é sua chance de
demonstrar sua gratidão pela paciência e pela habilidade do Sensei. Isso demonstra seu
desejo de aprender e seu pedido para receber suas instruções.
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Diversas vezes durante a aula você terá a chance de agradecer ao instrutor pelo
aconselhamento ou pela correção. Ao fazer esta reverência com completa concentração,
certamente você estará atento ao que está sendo dito. É muito fácil simplesmente não
prestar muita atenção e dizer "obrigado", voltando a praticar de forma errada.
4.1.3 - Reverência ao parceiro (Otogan-Ni)
Se você tem a oportunidade de trabalhar com um parceiro, vocês farão uma reverência um
para o outro. Novamente, faça-a com cuidado e com total atenção. Você estará dizendo ao
seu parceiro, ”por favor, pratique comigo” e "agradeço por sua cooperação". Uma
reverência descuidada levará a uma prática descuidada, o que pode ser um risco de
acidentes se um aluno faz uma reverência enquanto o outro ataca. Sempre se lembre que os
alunos mais antigos e os instrutores podem dizer muito sobre a sua atitude pela forma como
você observa a etiqueta do dojo.
4.1.4 - Sapatos
Sapatos ou chinelos devem ser usados ao se caminhar para a área de prática, para se evitar
alguma infecção, que poderia ser passada para seus colegas. Estes sapatos devem ser
retirados ao entrar na área de prática e devem ser alinhados corretamente, apontando para
fora do dojo. Eles devem ficar alinhados e fora do caminho para evitar que alguém tropece
na sua bagunça. Eles devem estar alinhados e prontos para serem calçados para evitar
confusões no final da aula e agilizar sua saída.
4.1.5 - Forma de Andar
Todos os movimentos no dojo devem ser feitos com completa atenção e controle, todo o
tempo. É considerado rude balançar os braços ou ficar girando a cabeça, ou ficar olhando
para tudo exceto para o que você deveria estar observando. Olhe para onde você está indo
todo o tempo e você estará em segurança, bem como estará sendo educado. Caminhar de
forma educada e polida significa ser capaz de parar sem cair em qualquer ponto, estando
com seu corpo sob controle.
Se você vai passar por seus colegas que estão praticando, espere até que eles terminem não
os interrompa. Esta é uma regra de segurança também. Se você está passando por uma fila
de alunos sentados, ande por trás deles, não na frente, entre eles e o instrutor. Isso
impediria a visão deles. Se você precisar passar na frente deles, estenda a mão direita e faça
uma leve reverência para frente para se desculpar por estar lhes bloqueando a visão.
4.1.6 - Ao ficar de pé
Quando você está de pé, é uma falta de educação se encostar-se à parede, ou colocar as
mãos nos bolsos, cruzar as pernas ou ficar de forma desmazelada. Seria uma paranóia
acreditar que alguém vai se esgueirar por trás de você e atacá-lo, mesmo durante uma aula
de arte marcial. Mas não é paranóico imaginar que alguém pode cair em cima de você, vindo
por trás. Ao estar de pé de forma correta, você estará na melhor posição para evitar um
perigo.
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4.1.7 - Ao se sentar
Você deve ser igualmente polido ao se sentar. No Japão é geralmente considerado rude e
feio sentar com as pernas esticadas para frente. Pense o que aconteceria com seus joelhos
se alguém caísse sobre eles durante a prática. Por outro lado, pense em como você se
sentiria se alguém tropeçasse e se machucasse por sua causa. Novamente, a regra de
etiqueta é igualmente uma regra de segurança. Seus braços e pernas devem sempre estar
recolhidos e protegidos.
Na próxima vez que você fizer uma reverência durante a aula, pare um momento e pense o
porquê disso e qual é o propósito deste gesto.
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5 – Estilos do Karate3
Goju-Ryu, Shito-Ryu, Shorin-Ryu, Shotokan, Wado-Ryu
Antigamente, Okinawa-te era uma arte praticada secretamente e, passado de pai para filho,
não existiam diferentes estilos de karate, faixas ou graduações como atualmente. As
diferenças entre os estilos são baseados nos locais de origem.
O karate-Do se desenvolveu em três locais diferentes de Okinawa: Haviam três principais
núcleos de Te (mãos), estes núcleos eram as cidades de Shuri, Tomari e Naha.
Conseqüentemente os três estilos básicos antes de receberem os nomes acima mencionados
tornaram-se conhecidos como: A capital Shuri, surgiu o Shuri-te (mão do su ) sistema de luta
que valorizava a velocidade.
A cidade portuária de Tomari, surgiu o Tomari-te (mão do centro) sistema de luta que na
verdade era uma fusão dos estilos de Shuri e Naha. A cidade comercial de Naha, surgiu o
Naha-te (mão do norte) sistema de luta que dava ênfase a força, deu origem ao estilo Goju-
Ryu de Karate. Shuri-te e Tomari-te deram origem aos estilos, Shotokan, Shito-Ryu e Wado-
Ryu.
5.1 - Goju-Ryu
O estilo Naha-te tornou-se popular devido aos esforços de Kanryo Higaoma (1853-1916)
onde treinou com o mestre Fukushu na China. Após treinar por um longo período, este se
torna conhecido e após um período, pede licença ao mestre de Fukushu e retorna à
Okinawa.
Aos 14 anos Chojum Miyagui (1888-1953) ingressa na academia de Higaona, na cidade de
Naha. Após vários anos de dedicação e esforços aos treinos e várias conversas com Higaona,
Chojum Miyagui foi para Fukushu conhecer o Kenpo da Chinam onde passou por vários
estados da China para aprender com os mestres locais.
Com o falecimento de Kanryo Higaona, as pessoas passam a procurar o mestre Chojun
Miyagui que mais tarde desenvolveu o estilo conhecido hoje como Goju Ryu sendo que, ‘GO’
significa rigidez ou força e ‘JU’ significa flexível ou suave. É nesses dois aspectos que são
baseados a filosofia do Goju.
3 Fonte: Site da Federação de Karatê do Estado do Rio de Janeiro
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Antes de sua morte o mestre Chojum Miyagui pede para Meitoku Yagui (1912), por ser o
aluno mais dedicado a continuar com o estilo, que divulgue e ensine o Goju Ryu e este por
sua vez, passou a ensinar aos demais pelo mundo.
5.2 - Shito-Ryu
Nas origens do Karatê, dois grandes mestres daquele tempo eram Anko Itosu (Shuri) e
Kanryo Higaona (Naha). Enquanto estes dois homens representavam a mais alta autoridade
daquela época, havia diferenças significativas entre eles:
Itosu enfatizava a velocidade e agilidade. Higaona enfatizava a força e contração muscular. O
meste Kenwa Mabuni, fundador do estilo Shito Ryu, inicialmente começou praticando com
os mestres Anko Itosu (Shuri-te) e Kanryo Higaona (Naha-te). O meste Mabuni era dotado
não somente de técnicas de karate, mas também praticou Kobudo (armas marciais).
Quando o mestre Mabuni mudou-se para Osaka (Japão) em 1934, estabeleceu credibilidade
com as outras artes marciais da comunidade japonesa e, sendo assim, fundou seu próprio
estilo de karate: Shito-Ryu, fundindo as principais características dos mestres Itosu e
Higaona.
Esta fusão reflete-se no nome do estilo: SHI’ – representa o ‘ITO’ de Itosu; ‘TO’ – representa
‘HIGA’ de Higaona
5.3 - Shorin-Ryu
A Escola(ryu) Shorin do Karate-do de Okinawa é Karate tradicional e ortodoxo descendente
do Shuri-te. O Shuri-te era uma arte marcial permitida somente para oficiais militares e
samurais da dinastia Ryukyu.
A escola Shorin é uma arte marcial mais antiga que se desenvolveu no intercambio cultural
entre a Dinastia de Ryukyu e as dinastias da China e, “kata” básico da escola shorin
“Naihanchi” que conserva nitdamente as caracteristicas de Hokuha Sorin (Shaolin do norte),
arte chinesa que objetiva,principalmente, a ofensiva e defensiva montado a cavalo. O
fundador do Estilo Shorin moderno é Chosin Chibana (1885-1969)
5.4 - Shotokan
O estilo Shoto-kan – SHOTO (pseudônimo com que o meste Funakoshi costumava assinar
seus poemas em sua juventude) transcrito em caracteres ocidentais e KAN (casa), foi
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fundado por Guchin Funakoshi (1868 – 1957). O nome Shoto-kan surgiu no primeiro edifício
de madeira que foi a primeira escola de Guichin Funakoshi.
O professor Funakoshi, considerado o Pai do karate moderno, foi quem introduziu
oficialmente o karate no Japão em 1922, através de uma memorável demonstração no
Budo-kan a convite do Ministério da Educação japonês. O estilo Shoto-kan teve tão rápido
conhecimento de discípulos que Funakoshi decidiu criar em 1936 seu próprio Dojo (local de
treinamento).
O estilo Shotokan foi mais tarde aperfeiçoado pelo filho de Gishin Funakoshi, Yoshitaka
Funakoshi, sempre com algumas restrições do mestre Funakoshi, mas com seu
consentimento.
Entre as inúmeras técnicas incluídas no estilo estão Yojo Gueri (sokuto), Mawashi Gueri,
Ushiro Gueri, Ura Mawashi Gueri, Uti Mawashi Gueri e outras variações de chutes que
diferenciam de outros estilos. As técnicas básicas do karate são passadas principalmente do
kihon, sejam os chutes, golpes e defesas.
5.5 - Wado-Ryu
O Shinto-Yoshin Ryum Jiu Jitsu, praticado durante trinta anos pelo professor Hironori
Orsuka, acentuava o Atemi, as imobilizações, as esquivas e os golpes de impacto com os
membros, além dos arremessos e projeções que a maioria das escolas de Jiu Jitsu utilizava.
Hironori Otsuka, que aos 29 anos tornava-se mestre em Jiu Jitsu (01/06/1921 – conforme
registros) tomou contato com o karate de Okinawa através de uma demonstração pública
feita por Gishin Funakoshi e equipe em 1922.
Com dedicação integral, Otsuka passa a praticar o karate com o mestre Funakoshi, quem lhe
confiava a organização de muitas tarefas, bem como a assistência na instrução aos
estudantes de karate. A partir de então, Otsuka passa a amadurecer idéias sobre a mescla
das técnicas do atemi, esquivas e Nague Waza do seu Jiu Jitsu ao karate, onde já se tornara
um respeitado especialista.
Nesta mesma época (1929), organiza o primeiro clube de karate na Universidade de Tóquio
e introduz neste mesmo ano o estudo do estilo livre de luta em jogos competitivos, criando a
base dos atuais torneios de karate.
Finalmente em 1934, oficialmente, inaugura o seu próprio estilo de karate que em 1940 é
oficializado pela Butoku-kai (órgão disciplinar e gestor das Artes Marciais no Japão) como o
estilo Wado Ryu – ‘Escola do Caminho da Harmonia’.
